Você já percebeu que, de uns tempos pra cá, as campanhas de Meta Ads parecem “não obedecer mais as regras antigas”? Vista de longe, parece que o algoritmo sumiu. Mas não: o que mudou foi o motor por trás dele — e esse motor tem nome: Andromeda.
Neste post, vou explicar de maneira simples o que é o Andromeda, como ele impacta suas campanhas, e minhas recomendações práticas (orçamento, quantidade de conjuntos de anúncios, formatos de criativos) para você surfar essa nova era com mais segurança e resultados.
1. O que é o Andromeda (e por que ele importa)
Andromeda é o novo sistema de recuperação e entrega de anúncios da Meta, que alimenta as automações do Advantage+. (Engineering at Meta)
Em vez de você tentar controlar cada variável (público, posicionamento, horário, criativo) manualmente, o Andromeda trabalha nos bastidores para unificar esses sinais e decidir — em frações de segundo — quais anúncios mostrar para cada pessoa, com foco no que vai gerar melhor retorno. (Engineering at Meta)
Esse motor “por trás da cortina” é mais do que um upgrade técnico: ele força uma mudança de mentalidade. Criativo vira insumo estratégico, o algoritmo assume a orquestração, e seu desafio passa a ser: dar insumos de qualidade para ele trabalhar.
2. Como o Andromeda muda as regras do jogo
Antes, muitos gestores dividiam campanhas em dezenas de conjuntos pequenos (interesses, segmentações exatas, etc.). Agora, essas estratégias podem atrapalhar.
Algumas mudanças práticas que o mercado vem sentindo:
Menos campanhas + mais criatividade: a ideia é concentrar a verba em estruturas mais simples, com mais amplitude, permitindo que o algoritmo encontre os melhores caminhos. (Reddit)
Criativos como “sinais” centrais: o Andromeda avalia imagens, vídeos, copy e combinações para decidir relevância. Se você usar sempre os mesmos ângulos, o custo sobe. (Only.Ag)
Menos microcontrole — mais confiança no algoritmo: segmentações estreitas, duplicações constantes e mudanças bruscas de verba acabam “resetando aprendizado” e aumentando custo. (Only.Ag)
Mais sensibilidade nas políticas e reprovações: o sistema passa a avaliar com mais rigor, e anúncios com claims absolutos, linguagem de atributo pessoal ou “antes e depois” são mais propensos a reprovações. (Only.Ag)
Então não é só “colocar no modo automático” e rezar — é estruturar pra que o algoritmo funcione bem para você.
3. Onde aplicar o orçamento e como escalonar
Aqui entra o ponto mais prático: como distribuir verba para extrair o máximo do Andromeda sem “dar tiro no pé”.
Sugestões de alocação de orçamento:
Use uma única campanha principal com orçamento contínuo (CBO ou estrutura de campanha padrão), ao invés de muitas campanhas com orçamentos pequenos.
Comece com verba moderada para “treinar o algoritmo” — deixe espaço para experimentar.
Aumente (escale) gradualmente: idealmente, subir 20% por dia no máximo é uma prática que muitos gestores usam para dar margem de ajuste ao algoritmo.
Evite subir ou cortar drasticamente de um dia pro outro; essas mudanças abruptas tendem a “confundir” o sistema e gerar variação de CPA.
Se você já tem campanhas rodando em modo antigo, uma abordagem é migrar metade da verba para uma “versão Andromeda” testando estrutura simplificada, enquanto mantém o restante nas versões anteriores como controle.
4. Quantos conjuntos de anúncios (ad sets) usar?
Com o Andromeda, a recomendação que muitos profissionais do tráfego têm testado é:
1 campanha
1 conjunto de anúncios (ad set / ad set único para prospecção / aquisição)
Ou seja: menos “fragmentação” de público. Deixe que o algoritmo encontre os melhores segmentos dentro desse conjunto único — você só sugere sinais (lookalikes, públicos amplos, públicos seed) como “inputs”, mas o algoritmo decide onde entregar. (Reddit)
Se houver um público frio e outro remarketing/quente, ainda pode haver um conjunto separado para remarketing. Mas evite misturar tudo em dezenas de conjuntos pequenos.
Em fóruns do mercado, o modelo “1 Campanha — 1 Conjunto — 8 a 12 criativos” aparece como estrutura prática que muitos estão usando como base inicial.
5. Quantidade e formatos de criativos recomendados
Esse é um dos pilares mais críticos da era Andromeda: os criativos são os “dados” com os quais o sistema aprende sobre o que converte.
Quantos criativos usar?
Recomendação comum: 8 a 12 criativos diferentes no mesmo conjunto.
Alguns testam até mais — mas há relatos de que o algoritmo vai “ignorar” muitos — então variar em qualidade e ângulo é mais importante que encher de versões mínimas.
Troque criativos que estão “adormecidos” ou com taxa de engajamento baixa — não espere para usar os mesmos por semanas.
Quais formatos usar?
Monte uma sequência de formatos para testar amplitude:
Vídeos curtos / reels (5 a 15s)
Imagens estáticas de alta qualidade
Carrosséis (ex: sequência narrativa ou antes/depois leve)
Testemunhos / UGC (conteúdo gerado pelo usuário)
Varie ângulos: demonstração, benefícios, uso, comparação, emoções
Uma prática é ter, por exemplo:
3 vídeos (ângulos diferentes)
3 imagens / criativos estáticos
2 carrosséis
Importante: não são “mutant versions” do mesmo criativo — devem ser suficientemente diferentes em proposta e estilo para que o algoritmo aprenda insights reais.
6. Passo a passo sugerido para você montar sua campanha Andromeda
Aqui vai um esqueleto prático:
Defina objetivo de campanha claro (venda, lead qualificado, etc.)
Configure pixel + API corretamente para garantir que os dados fluam bem (quanto melhor o sinal, melhor o aprendizado)
Crie 1 campanha com orçamento razoável para iniciar
Dentro da campanha, crie 1 conjunto de anúncios (para aquisição) com público amplo como seed
Insira 8 a 12 criativos diversos
Deixe a campanha rodar sem grandes ajustes nos primeiros 3 a 5 dias (exceto remover criativos muito ruins)
Aumente a verba de forma gradual (por exemplo, 10–20% por dia)
Após 7–10 dias, avalie o desempenho, elimine criativos que performaram mal, rotacione novos mantendo parte dos melhores
Se julgar necessário, crie outro conjunto só para remarketing (com criativos e ofertas específicas)
Continue monitorando e renovando criativos com frequência
7. Principais cuidados / “pegadinhas” que vejo no mercado
Subir verba muito rápido “quebra” o aprendizado;
Manter sempre os mesmos criativos sem renovação causa saturação;
Microsegmentações e duplicações infinitas confundem o algoritmo;
Focar demais só no custo (CPA) logo no início pode matar experimentos bons;
Problemas no pixel / API atrapalham toda entrega;
Reprovações por descumprir políticas (claims, linguagem sensível) aumentaram com Andromeda ativo.








